Friday, 2 December 2011

Telmo

Obviamente que me cruzo com muita gente nos comboios com quem não troco uma palavra. Mas quando apanho o Intercidades normalmente instalo-me no bar com o portátil e como os lugares são poucos acabo por ter partilhar o lugar com outra pessoa. De um modo geral, não costuma existir diálogo, mas algumas vezes acabo dar dois dedos de conversa. Umas vezes corre bem, mas outras nem tanto. E estas últimas ficam para outros posts. Na 4ª feira, como era hora de jantar, o bar tinha bastante gente e apenas havia um cantinho livre para mim. Perguntei ao rapaz que estava sentado que por acaso tinha pinta de estrangeiro, se ele se importava que eu me instalasse ali. Que não se importava nada, e nem era preciso perguntar. Foi uma companhia muito agradável, era um moço com perto de 30 anos, que tinha uma visão do mundo muito interessante, com quem se podia manter uma conversa bem agradável. Realista mas com alguma ingenuidade à mistura: "- Não acredito que seja prof. universitária, parece uma pessoa tão terra-à-terra", dizia-me a certa altura. Eu percebi o que ele queria dizer, porque fui aluna e sou colega de alguns espécimes que se acham acima do comum dos mortais e de outros que vivem num Universo paralelo. Expliquei-lhe que a maioria não é assim, somos gente de carne e osso que também luta por uma vida melhor e que apenas teve mais formação que as outras pessoas. Só isso. Tive pena de não ter conversado mais com ele porque o trabalho falava mais alto. A tese de mestrado aberta no portátil chamava pela minha correcção. No fim desejamos felicidades um ao outro e fiquei a saber que se chamava Telmo.